"Bruxas à Portuguesa" é uma obra de investigação social e crónica urbana escrita pelo jornalista e escritor João Alves da Costa, publicada originalmente em 1980 pela Livraria Bertrand.
O livro funciona como um documento sociológico precioso sobre o Portugal profundo, as crenças populares e o ocultismo nas décadas de 1970 e 1980.
A narrativa gira em torno de uma rigorosa reportagem jornalística disfarçada de ficção. A espinha dorsal da história acompanha o marido de uma médium que reside no subsolo de Lisboa. Este homem adota uma postura mercenária e passa a visitar ao domicílio os antros de vários "tratadores" e "domesticadores" de espíritos.
Ao longo do seu percurso, o livro faz um levantamento real de personagens e lugares que integram a "cadeia magnética" do ocultismo em Portugal, desafiando de forma permanente tanto os crédulos como os incrédulos.
O autor percorreu o país para documentar o dia a dia e o impacto social de várias figuras do imaginário popular:
- Agentes do Oculto: O livro retrata as dinâmicas e o mercado atrás de bruxas, feiticeiras, curandeiros, cartomantes, benzedeiras, espíritas, médiuns, exorcistas e satanistas.
- Psicologia do Medo e da Esperança: Explora os motivos que levavam as comunidades a recorrer a estes serviços, misturando a necessidade de cura com a superstição.
- Crítica e Sátira Social: A obra utiliza uma boa dose de ironia, humor negro e pormenores provocadores para analisar a moralidade e os costumes da sociedade portuguesa contemporânea da altura.
Afastando-se do mero sensacionalismo, o livro procura compreender estes fenómenos no seu contexto histórico e antropológico, sendo hoje considerado uma peça de culto e de coleção para quem estuda a história das mentalidades em Portugal