"Os Dias do Trigo" apresenta-se como um cântico lírico e telúrico focado no trabalho, na terra e na dignidade do homem comum. Através de uma linguagem onde o apuro estético se alia a uma vincada consciência cívica, o autor utiliza a metáfora do "trigo" — e de todo o ciclo da jorna, da sementeira e da ceifa — para reflectir sobre o esforço colectivo da construção de uma sociedade nova e livre.
A poesia reunida neste volume afasta-se do intimismo isolado para cantar os operários, os camponeses e os trabalhadores anónimos que, no quotidiano das suas lutas, moldam os alicerces do tempo. O trigo surge não apenas como sustento físico, mas como o símbolo máximo da liberdade conquistada, do pão partilhado e da germinação de uma justiça social há muito ambicionada. Com o habitual rigor formal que caracteriza a produção literária do autor, cada poema funciona como um testemunho histórico da vivência popular, convertendo o suor e a dureza dos dias numa promessa firme de um porvir fraterno