"Literatura e Consciência Política na América Latina" constitui uma profunda reflexão sobre o compromisso ético e estético que o escritor latino-americano deve assumir perante a realidade do seu tempo. Alejo Carpentier rejeita categoricamente a ideia da arte pela arte ou de um lirismo alienado das dores do mundo. Para o ensaísta, a literatura produzida no continente americano está intrinsecamente ligada à busca da própria identidade e à denúncia das injustiças sociais, da opressão colonialista e do drama da dependência económica.
O autor esmiúça o conceito de que a palavra escrita actua como um agente de consciencialização colectiva. O romance e a poesia na América Latina não servem apenas para entreter, mas para documentar a história não oficial, dar voz aos despossuídos e iluminar a herança mestiça e barroca do continente. Através de uma prosa elegante e erudita, o criador do "real maravilhoso" demonstra que a tomada de consciência política não esmaga a qualidade artística; pelo contrário, confere-lhe uma urgência vital. A obra estabelece-se como um manifesto que desafia os intelectuais a transformarem a criação literária num espelho crítico e num instrumento de emancipação cultural e social.