"Questionar a História" apresenta-se como um vibrante manifesto contra a concepção passiva, linear e puramente factual do conhecimento histórico. António Borges Coelho defende que a História não deve ser encarada como um arquivo morto de datas e heróis sagrados, mas sim como uma ciência viva, dinâmica e em permanente reconstrução. Para o autor, o verdadeiro papel do investigador consiste em interrogar as fontes com um espírito crítico apurado, transformando o acto de investigar numa acção de desocultação das forças sociais e económicas que movem as sociedades.
Ao longo dos ensaios, o historiador debruça-se sobre episódios e estruturas da evolução histórica portuguesa, propondo novas grelhas de leitura que valorizam o papel das massas populares, as tensões de classe e as contradições materiais. A obra sublinha que cada época histórica formula as suas próprias perguntas ao passado com base nas urgências do seu presente. Com uma escrita que alia o rigor científico à sensibilidade poética que lhe é característica, Borges Coelho demonstra que questionar a história é, em última análise, um instrumento de libertação cultural e de consciencialização cívica fundamental para a construção de um porvir mais livre.