- Novo
Empreza Litteraria Fluminense, s.d.
Ilustrado.
[todos os volumes em excelente estado]
O Judeu Errante (Le Juif errant), publicado entre 1844 e 1845 pelo escritor francês Eugène Sue, é um monumental romance-folhetim que mistura aventura, crítica social e melodrama histórico. A história central gira em torno de uma conspiração jesuíta implacável para confiscar a imensa herança da família Rennepont, estimada em 212 milhões de francos.No final do século XVII, Marius de Rennepont, um huguenote (protestante francês) perseguido pela Igreja e pela Companhia de Jesus, consegue salvar a sua fortuna confiando-a a uma família de banqueiros judeus. Ele estabelece em testamento que o montante acumulado deve ser dividido entre os seus descendentes sobreviventes exatos 150 anos depois, no dia 13 de fevereiro de 1832, numa casa em Paris.À medida que a data se aproxima, os jesuítas descobrem o testamento. Liderados pelo maquiavélico e sinistro Monsieur Rodin, a ordem arquiteta um plano diabólico para garantir que nenhum dos herdeiros legítimos consiga comparecer ao encontro em Paris. Espalhados pelo mundo e sem conhecimento uns dos outros, os sete herdeiros carregam apenas uma medalha de bronze como identificação. Rodin e os seus agentes utilizam métodos cruéis para os neutralizar, recorrendo a falsas acusações de loucura para internar herdeiros em asilos (como a aristocrata Adrienne de Cardoville), prisões por dívidas forjadas, manipulações psicológicas, intrigas e assassinatos.Apesar do título, a figura mítica do Judeu Errante (Ahasverus) e da sua irmã (Herodias) aparecem fisicamente poucas vezes na narrativa. Amaldiçoados por Jesus a vagar eternamente pela Terra sem descanso, eles atuam como anjos da guarda secretos e "eminências pardas" da família Rennepont, que são os seus descendentes diretos. Eles viajam pelo mundo tentando guiar e proteger os jovens herdeiros das armadilhas da Igreja. Contudo, o Judeu Errante também carrega um fardo trágico, pois por onde ele passa, a epidemia de cólera o segue, o que adiciona um cenário de caos a Paris em 1832.O livro de Eugène Sue foca principalmente no anticlericalismo, apresentando uma crítica feroz ao poder político e à corrupção da Companhia de Jesus na época. Além disso, aborda profundamente a justiça social, trazendo uma forte defesa das classes trabalhadoras, a denúncia da pobreza urbana e a opressão das mulheres na sociedade francesa do século XIX.