O Criminoso N.º 1: O Regime Nazi e o Seu Führer é um livro de cariz histórico e documental escrito pelos autores soviéticos Daniil Melnikov e Lyudmila Tchernaia. Publicada em Portugal em meados da década de 1980 pelas Edições Avante! (integrada na coleção Problemas do Mundo Contemporâneo), a obra apresenta uma análise crítica e profundamente ideológica sobre a ascensão, a consolidação e a queda do regime de Adolf Hitler.
O livro foi escrito com o propósito explícito de combater a vaga de publicações, biografias e produções cinematográficas ocidentais que, segundo os autores, tendiam a romantizar, mitificar ou focar-se excessivamente em traços puramente excêntricos da personalidade de Hitler.
A missão central da obra passa por:
- Desmistificar a figura do Führer: Desmontar o mito do "génio do mal" isolado, demonstrando que Hitler foi um produto direto de condições socioeconómicas específicas.
- Expor os cúmplices do Nazismo: Analisar como o grande capital financeiro e a alta burguesia industrial alemã apoiaram, financiaram e instrumentalizaram o Partido Nazi para esmagar os movimentos operários e a esquerda política.
- Base Documental: Sustentar a narrativa com dados e documentos oficiais recolhidos no pós-guerra, examinando a máquina burocrática, militar e policial do Terceiro Reich.
Com mais de 400 páginas e enriquecido com fotografias de arquivo da época, o texto aborda:
- A Ascensão ao Poder: O aproveitamento da crise da República de Weimar, a propaganda massiva e a violência das milícias nazis.
- A Consolidação do Regime: A repressão interna, a destruição dos sindicatos, a criação dos primeiros campos de concentração e a perseguição sistemática de opositores, minorias e judeus.
- A Política de Agressão e Guerra: O expansionismo militar na Europa que culminou na Segunda Guerra Mundial.
- O Julgamento da História: Os crimes de guerra e a atribuição inequívoca de responsabilidades às principais chefias nazis. [1]
Por ter sido escrita por historiadores soviéticos e editada pela editora do Partido Comunista Português (Avante!), a narrativa adota uma perspetiva de materialismo histórico, focando o papel da luta de classes, da economia e do antifascismo na leitura dos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.