"Juízo Universal" (Il giudizio universale) é a magna obra póstuma do escritor italiano Giovanni Papini, publicada originalmente em 1957. Considerada o projeto mais ambicioso da sua vida, a obra funciona como um gigantesco painel literário onde a humanidade inteira é chamada a depor perante o tribunal divino.
O livro estrutura-se em torno do Juízo Final, o momento apocalíptico em que a história humana chega ao fim e todas as almas se reúnem diante de Deus e dos Seus anjos. Em vez de uma narrativa linear tradicional, Papini apresenta uma imensa sucessão de depoimentos, confissões e monólogos. Centenas de personagens, incluindo figuras históricas reais, santos, papas, poetas, guerreiros, criminosos, aventureiros e pessoas comuns, desfilam para expor as suas vidas. Cada alma tenta justificar os seus atos, revelando as suas fraquezas, os seus pecados mais íntimos e o sofrimento que carregou na Terra. Muitas destas personagens não se limitam a pedir perdão, pois questionam as decisões divinas e o próprio mistério da existência e da dor humana, enquanto os seres celestiais escutam e interagem com os réus, oferecendo respostas que contrapõem a perspetiva terrena à justiça eterna.
Através destas vozes, a obra desenvolve uma análise profunda e dramática sobre a condição humana, oscilando entre a miséria moral e a aspiração à santidade. O texto explora o eterno conflito teológico entre a justiça e a misericórdia, contrapondo o castigo merecido pelos pecados ao amor redentor de Deus. Ao mesmo tempo, o autor constrói uma forte crítica social e filosófica, servindo-se de sábios e tiranos para passar em revista os erros intelectuais, políticos e morais de várias eras da história.
Papini planeou este livro durante décadas e o processo de escrita tornou-se tão dramático quanto o próprio enredo. Devido a uma doença degenerativa grave que o paralisou e lhe retirou a fala nos seus últimos anos, o autor teve de ditar a obra palavra por palavra à sua neta, Anna Casini Paszkowski. O resultado final reflete todo o tormento, a fé fervorosa e a genialidade do pensamento do escritor na reta final da sua vida.