O livro "A Revolução de 1820", que reúne os escritos e discursos de Manuel Fernandes Tomás com compilações organizadas pelo historiador José Tengarrinha, é um testemunho documental direto do nascimento do liberalismo e do constitucionalismo em Portugal. A obra compila as principais peças políticas, relatórios e intervenções parlamentares do autor entre 1820 e 1822. Considerado o Patriarca da Regeneração, Manuel Fernandes Tomás detalha por dentro o planeamento clandestino do Sinédrio no Porto e a eclosão do pronunciamento militar de 24 de agosto de 1820. Os textos servem como uma demonstração prática da transição ideológica de Portugal, que enfrentava uma profunda falência económica e a submissão ao domínio britânico. Através de manifestos oficiais e debates nas Cortes Constituintes, o livro expõe os alicerces jurídicos e sociais que destruíram o absolutismo e lançaram as bases para a primeira Constituição portuguesa de 1822. Entre os grandes eixos da obra encontram-se o diagnóstico detalhado da ruína financeira do país com a corte de D. João VI fixada no Brasil, a justificação ideológica do levantamento militar como um ato patriótico e pacífico de salvação nacional, e o embate político nas Cortes para extinguir privilégios feudais, abolir a Inquisição e instituir a soberania da lei. Trata-se de um documento histórico indispensável para compreender a transformação de Portugal de um regime absolutista para uma monarquia constitucional moderna.