- Novo
1.ª ed., Caminho, 1989. 412 pp.
Inclui poemas de Mário Dionísio, Sidónio Muralha, Carlos de Oliveira, Fernando Namora, entre outros.
[miolo como novo, brochura com ligeiro desgaste]
Novo Cancioneiro, volume antológico organizado pelo ensaísta e crítico literário Alexandre Pinheiro Torres e publicado em mil novecentos e setenta e cinco, constitui um dos mais valiosos e abrangentes documentos históricos para compreender o advento e a consolidação do neo-realismo na poesia portuguesa do século vinte. A obra reúne, analisa e contextualiza a produção poética da célebre colecção homónima que, entre mil novecentos e quarenta e um e mil novecentos e quarenta e quatro, rompeu drasticamente com o lirismo intimista da revista Presença para instaurar uma literatura de intervenção social e combate político contra o regime do Estado Novo. Através de um denso prefácio e de uma rigorosa selecção de textos, Pinheiro Torres traça o perfil estético e ideológico de uma geração brilhante de autores — onde se incluem nomes fundamentais como Álvaro Feijó, Carlos de Oliveira, Fernando Namora, Joaquim Namorado, João José Cochofel e Mário Dionísio —, demonstrando como estes jovens escritores utilizaram a palavra como arma de denúncia contra a miséria rural, a opressão operária e o sufoco das liberdades democráticas. Longe de ser uma mera compilação saudosista, este livro assume-se como um ensaio crítico fundamental que estuda a génese da poesia militante em Portugal, mapeando as influências do marxismo, do surrealismo e do neo-realismo brasileiro, ao mesmo tempo que celebra a coragem artística de uma juventude que ousou desafiar a censura e o obscurantismo salazarista através do lirismo solidário.