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A Vénus de Kazabaïka - Sacher-Masoch
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A Vénus de Kazabaïka - Sacher-Masoch

30,00 €
Com IVA

1.ª ed., Afrodite, 1966. 215 pp.

Tradução de Ana Hatherly.

Prefácio de Júlio Moreira.

Colaboração gráfica de António Sena.

[excelente estado, ligeira acidez na contracapa]

Quantidade

A Vénus de Kazabaïka, vulgarmente conhecida sob o título A Vénus das Peles, é a obra mais célebre do escritor austríaco Leopold von Sacher-Masoch, publicada originalmente em mil oitocentos e setenta, que explora os meandros da submissão, do fetiche e do controlo psicológico, servindo inclusivamente de base para a criação do termo clínico masoquismo. A narrativa acompanha a intensa e obsessiva relação entre Severin von Kusiemski e a jovem viúva Wanda von Dunajew, celebrando um contrato formal onde o protagonista abdica voluntariamente da sua liberdade para se tornar escravo absoluto da mulher amada, aceitando ser humilhado e castigado fisicamente por ela. No plano editorial português, o livro ganhou contornos de lenda quando o vanguardista Fernando Ribeiro de Mello o publicou em mil novecentos e sessenta e seis através das suas Edições Afrodite, numa tradução cuidada da escritora Ana Hatherly, prefácio de Júlio Moreira e uma ousada colaboração gráfica do arquitecto António Sena da Silva. Esta edição rompia radicalmente com as convenções da época ao incluir encenações fotográficas explícitas em folhas extra-texto, cujos figurantes clandestinos eram um empregado do armazém do próprio editor e a mulher da limpeza. O arrojo estético e a temática erótica do volume despertaram de imediato a ira do regime do Estado Novo, que considerou o projecto um atentado intolerável contra a moral pública e os bons costumes defendidos pela ditadura. A polícia política e a censura actuaram de forma implacável, ordenando a apreensão total e o confisco imediato dos exemplares nas livrarias, integrando este título no rol de livros proibidos da Afrodite que acabariam por arrastar o editor e os seus colaboradores para os tribunais plenários da ditadura. Ao fundir a análise literária da perversão com a violenta repressão estatal da época, esta edição específica converteu-se num objecto de culto e num marco incontornável da resistência cultural em Portugal face ao obscurantismo institucionalizado.

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